• 10
    jun
    2018
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Feira do Livro entra na reta final com atrações para adultos e crianças

Ainda dá tempo de aproveitar a programação diversificada da Feira Pan-Amazônica do Livro, que encerra neste domingo, 10, no Hangar – Convenções e Feiras da Amazônia. Além dos inúmeros estandes de livros, o evento oferece muitas atrações para a garotada.

Na sexta-feira (8), o Espaço Criança da 22ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro recebeu a contadora de histórias Ester Sá em “Contos Africanos”. Dezenas de crianças assistiam atentas às representações, que faziam alusão às obras do paraense Bruno de Menezes, autor negro, que escreveu obras como “Boi Bumbá: auto popular” e “São Benedito da Praia: folclore do Ver-o-Peso”.

A Feira Pan-Amazônica do Livro tem investido anualmente em atividades que estimulem a criatividade e o imaginário do público infantil. Para a 22ª edição, conta com diversas programações que incluem espetáculos teatrais e contação de história. As atividades são sempre entre 10h30 e 19h, no espaço infantil.

Papo Cabeça

“Estou muito emocionado em ver a quantidade de jovens aqui e o interesse deles nas perguntas. É muito gratificante perceber que essa plateia jovem é maior do que as de adultos para as quais eu falei”. Foi assim que o educador, professor e escritor paulista Celso Antunes traduziu seu sentimento ao participar pela primeira vez de uma Feira Pan-Amazônica do Livro.

Autor de 180 livros didáticos, dos quais 100 deles sobre temas de educação, Celso é especialista em inteligência e cognição. Durante a tarde desta sexta-feira (8), ele foi o debatedor do último dia do Papo Cabeça. Como ensinar valores, estimular inteligência e discutir as emoções foi o tema do debate. Celso Antunes destacou a importância de um hábito comum entre os jovens: escrever um diário. Para o escritor e educador, escrever e registrar as emoções é um exercício lúdico necessário para estimular a inteligência.

Um bom exemplo é vivenciado pelo carioca Giovani Martins, convidado do Encontro Literário, que aos 26 anos, já teve os direitos de seu primeiro livro vendido para nove países. O autor falou de sua vida como morador da favela e que leva, através de sua obra “O Sol na Cabeça”, a realidade de crianças e adolescentes do morro em contos que têm chamado a atenção do mundo. Chico Buarque e Lázaro Ramos foram alguns dos artistas que fizeram referência à obra de Geovani.

“Tenho uma grande admiração pelo trabalho dos dois, mas fico mais feliz ainda quando minha literatura chega a lugares aonde normalmente não chegaria, onde as pessoas não têm a leitura como hábito. A leitura da minha obra por estas pessoas anônimas me deixa mais feliz do que a de leitores ilustres”, comentou.

Os direitos de adaptação do “Sol na Cabeça” para o cinema também foram negociados, com o cineasta Karim Aïnouz à frente do projeto. “Eu fiquei muito surpreso com a possibilidade das histórias virarem filme. São histórias distintas e eu achava mais provável ser adaptado para uma série. Fiquei mais feliz por ter sido adaptado por um cineasta que eu admiro muito”.

Gincana Literária

Após quatro dias de competição, finalmente foram reveladas as grandes campeãs da Gincana Literária: a Unidade Seduc na Escola (USE) 7 levou o primeiro lugar, e teve 15 alunos da Escola Estadual Cornélio de Barros premiados com um smartphone cada.  O segundo lugar ficou com a USE 10, de onde também saiu a vencedora do concurso de redação, a estudante Rayane Silva, da escola Maria Gabriela Ramos de Oliveira, que foi premiada com um tablet.  Os alunos das USEs 13 e 15 ficaram com o terceiro e quarto lugar, respectivamente.

Todos os alunos participantes da Gincana foram premiados com valores em dinheiro, tablets ou smartphones, de acordo com a colocação. No dia 29 de junho os alunos irão participar de uma premiação solene no Teatro Gasômetro, onde receberão das mãos da secretária de Educação, Ana Claudia Serruya Hage, as medalhas e o troféu de campeões da Gincana Literária 2018.

Stand up com Epaminondas Gustavo

O auditório Benedito Nunes, com capacidade para mais de mil pessoas, ficou lotado durante o show de Sat-up Camedy do personagem Epaminondas Gustavo, criado pelo juiz Claudio Rendeiro. O personagem ficou famoso com os áudios compartilhados por aplicativo de celular.

No show denominado “Conversa entre parentes”, Epaminondas conta causos, piadas, canta, dança e conversa com o público no sotaque carregado dos moradores do interior do Pará. O show foi uma promoção da Imprensa Oficial do Estado (IOE), uma das patrocinadoras da Feira, que também editou os livros de Claudio Rendeiro.

Logo após a apresentação uma longa fila se formou no estande da IOE para receber o autógrafo do autor dos livros “Sátiras de um Ribeirinho”, que reúne mais de 80 crônicas do personagem Epaminondas Gustavo, e que poderão ser ouvidas por meio do aplicativo de QRCode. E “Líricas Ribeirinhas e Outras Margens”, com a produção poética do juiz escrita ao longo dos anos.

Cláudio Rendeiro ficou surpreso com o sucesso do personagem, mas acredita que o segredo está no carisma do personagem e no fato de que quem tem um pai, um tio, um avô ou um amigo que tenha essa linguagem se identifica. “Toda essa linguagem do Epaminondas, longe de ser um deboche, na verdade é uma grande homenagem que eu faço a essa nossa linguagem ribeirinha, do Marajó, do Baixo Amazonas… Eu acredito que por conta desse carisma, o personagem acaba caindo no gosto popular” contou Rendeiro.

O show agradou pessoas de todas as idades, como a universitária Silvia Cardoso, 20 anos, que disse que já ouviu vários áudios do Epaminondas enviados pelo WhatsApp. “É muito engraçado, pois fala da cultura do nosso povo. É muito bom!”.

A administradora Cintia Lima, de 35 anos, estava acompanhada da irmã Bruna Lima, 23, e do sobrinho Alex lima, de 10 anos. “Eu sempre recebo áudios dele, o que acaba por divertir o nosso dia a dia. Tira a gente de situações sérias do trabalho. E foi maravilhoso!” aprovou.

“Imagina um juiz contando piadas (risos). Mas aqui não é o juiz, é o Epaminondas. É muito bom ver um personagem fazer tanto sucesso, valorizando a nossa cultura. A Imprensa Oficial se sente feliz de proporcionar um espetáculo como esse para os frequentadores da Feira do Livro. É uma valorização ao mesmo tempo da leitura e da cultura”, pontuou o presidente da IOE Cláudio Rocha.

Programação do sábado

Durante a manhã deste sábado, ocorre o VIII Encontro de Cordelistas da Amazônia. O evento tem o apoio da Universidade Federal do Pará, por meio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) e falará sobre a cultura de cordel que chegou à Amazônia junto com os imigrantes nordestinos, além da atual situação da literatura cordelista.

O cordel é uma literatura popular introduzida no país no fim do século XIX. Ela é típica do Nordeste e acabou sendo espalhada para diversas regiões do país, entre elas a Amazônia, informando e divertindo os leitores. No Brasil, a literatura de cordel influenciou diversos escritores, como João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Guimarães Rosa.

O sábado também será o último dia de oficinas do Projeto Biizu na Feira do Livro. Os participantes vão aprender sobre desenho. O projeto esta presente nas edições da Feira desde 2011, quando foi criado. O Biizu levou este ano as oficinas de Escrita Criativa, Fotografia, Desenho e Quadrinhos. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no local das oficinas.

Às 15h, o público confere a Mostra de Cinema com dois dramas: “A Terra e a Sombra” e, em seguida, “Karen chora no ônibus”. A mostra apresenta filmes sul-americanos e debates sobre as temáticas dos filmes, abordando a cultura colombiana (país homenageado) e as semelhanças entre os dois países na área do cinema.

Às 20h30 quem se apresenta na Mostra Pan-Amazônica de Música é a cantora Nanna Reis, com o show Pará Latino, com a participação especial do cantor Jeff Moraes. Aos 23 anos, a cantora e compositora já pode ser considerada uma profissional experiente. A estreia, em maio de 2010, de seu primeiro show solo, Brasilidade, e sua vitória, três meses depois, como Melhor Intérprete do 2º Festival de Música Popular Paraense são algumas das conquistas de uma trajetória que vem sendo construída em bases sólidas há 11 anos.

A 22ª Feira Pan-Amazônica do Livro segue até este domingo, 10, no Hangar, de 10h às 22h. A entrada é franca. Confira a programação completa do evento em feiradolivro.pa.gov.br.

Por Erika Torres

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